terça-feira, 29 de abril de 2014

Meu Primeiro Dia


Andei devagar, querendo sentir cada momento, registrar na memória cada passo de um trajeto de poucos mais de dez minutos.

Me senti na passarela, num tapete vermelho para um novo momento de minha vida.

Foto Lê Gomes
Na minha passarela vários espectadores de minha felicidade. De um lado um prédio de 1840. Virei e vi o tradicional Angu do Gomes a me olhar, me deparei mais a frente com a Pedra do Sal e vi o samba me saudando. E o gracioso? era todo novo também a me olhar.

Vi mais prédios antigos e outros novos, dentre os novos estava o MAR. No alto havia um céu lindo, e no meio do caminho um painel de arte de rua a me presentear.

Ao final da passarela ele estava lá a me esperar, de braços abertos e ao vê-lo só consegui dizer - "Te esperei por 5 anos".

Neste momento selamos um casamento que espero dure anos.

Já o tinha visto algumas vezes , mas naquele dia foi diferente, reparei em cada detalhe, nas suas sutilezas e me apaixonei. Ele é todo de mármore, tem glamour, mas também é simples como gosto. É um pouco rígido, mas sempre tem um sorriso a te acolher.

Ele tem anexos não tão sublimes quanto ele mas seu santuário, uma capelinha linda, é esplendida na simplicidade e Deus sempre está lá.

Não nego , ele me embriagou de tal forma que anestesiada ainda estou. Ainda não acredito que ele me recebeu e que de agora em diante estarei com ele e que aqui poderei ser cada dia melhor, mostrar tudo o que possa oferecer e dizer com orgulho - Te pertenço.


Lê Gomes



P.S Relato poético de meu primeiro dia no novo local de trabalho. Este momento significou um novo recomeçar em minha vida depois de uma longa depressão.

sábado, 26 de abril de 2014

O Tempo

O Tempo



Ao burlarmos o tempo
Acreditava o tempo perdido recuperar
Descobrimos, porém que o tempo não pode voltar
Tentamos viver outro tempo,
Um tempo, sem tempo de recomeçar.
Recomeços de tempo
Tempos passados,
Passados no tempo, mortos estão.
Quebraram-se os laços
Destruiu-se o tempo
De sonhos que não voltarão.


                                                                    Lê Gomes

Foto: Lê Gomes

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Meu Homem Menino

  

Aquele homem se aproximou de mim, veio como se nada quisesse, mas seu olhar tudo queria.

Embalou-me numa dança onde nossos corpos desejavam pertencer um ao outro.

Naquele instante diante de tudo, tinha medo de querê-lo, então preferi fingir que não o queria.
O não, foi quebrado pelas palavras sussurradas no ouvido “Se me aceitares ficaremos juntos por toda a vida”.  Neste momento meu coração pertenceu-lhe.

Mas a razão perguntou;   O que deveria eu aceitar?  Segundo aquele homem menino apenas um trabalho que poderia nos distanciar – “ Sou marinheiro a navegar” , disse-me então.

Sinceramente, para mim não era objeção. Apenas um fato naquele encontro casual fez afastar-me, o homem menino não pode me levar ao ponto de partida, preferiu ficar junto daqueles que estava antes a conversar.

Apesar de todo encantamento, deixo-o sem olhar para trás.

“Você me perdeu”. Pensei

Passaram-se os dias, meu pai adoeceu. A morte veio buscá-lo sorrateira.

Foi o dia que o homem menino insistiu num reencontro, então, eu esmorecida,  peguei o “Adeus!” , joguei  fora e decidi dizer – “Olá!”

Mas não deu. A tristeza da notícia da piora de meu pai foi como faca entrando no peito. Só pude chorar, pedir a Deus – Dai-me forças. E ao homem menino só consegui dizer;  “Não posso, mais uma vez adeus!”

Na minha profunda angustia, uma ligação, uma voz acalenta meu coração ao falar ;

– “ Sou eu. Mesmo que comigo não possa estar, algo me diz que precisa de ajuda. Estou aqui para ajudar”.

Daquele dia em diante, não mais me separei do homem menino. Passamos a ter muitas estórias para contar. Meu doce homem menino, hoje é um homem tão lindo. Fica a me ensinar a sabedoria da vida. Tudo é um ciclo. A morte leva e a vida trás.

Nesta vida perdi meu pai no mesmo instante que  encontrei a paz (as vezes turbulenta) de um amor.


Lê Gomes

terça-feira, 22 de abril de 2014

Quero...




Quero antes um dia chuvoso de paz
A um dia de sol nebuloso de guerra












Quero o brilho dos olhos tristes e sinceros
Aos olhos alegres de maldade







Quero  viver um amor doloroso
A viver doloroso por não ter um amor

                    Lê Gomes




P.S. As fotos foram tiradas por mim em momentos e situações diversas

domingo, 20 de abril de 2014

Eu sou assim



Eu sou assim;
Um pouco maluquinha
Com um tempero apimentado,
Uma docilidade meio amarga 
E um olhar encantador.

Eu sou assim;
Vivo revolta, num mar de ondas inconstantes.
Eu quero e não quero,
Vou, volto, balanceio.
Caio e levanto.

Eu sou assim;
Me adoro e me odeio.
A inteligência é minha companheira
Mas, a inércia muitas vezes me seduz.

Eu sou assim;
Vivo lutando, numa guerra constante.
Às vezes há vitórias,
Em outras derrotas.
Porque eu sou assim.




Lê Gomes

A Páscoa

Foto: Lê Gomes

É momento de renovação, de comunhão com Cristo que morreu para nos salvar.
Neste dia não tenho muito que falar,  quero apenas me recolher e estar mais próxima de Deus, que tantas vezes  me reergueu  para que soubesse reconhecer e esperar pela vida verdadeira.
Quando eu reneguei esta vida, Deus sempre se pôs a estar lá me puxando do abismo.
Hoje, neste momento, me sinto recomeçar e melhor, estou em paz comigo mesma.
Neste dia de Páscoa te agradeço meu Deus por ter iluminado meu caminho e não ter permitido que minha mente e meu coração se apagassem de vez.
Ainda estou no caminhar, mas agora vejo borboletas no caminho.

FELIZ PÁSCOA A TODOS E QUE A PAZ E O AMOR DE CRISTO ESTEJA NO SEU LAR

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Livros de minha infância

Pelo Dia Nacional do Livro Infantil


Fiquei algum tempo no Sítio do Pica Pau Amarelo, mas fui instigada a seguir com Os Karas numa história de suspense e aventura. 

Apesar de impactada com as aventuras daqueles meninos  resolvi me perder  no Reino Perdido do Beleleu, afinal para onde vamos quando nos perdemos?

No Reino, encontrei uma Menina Bonita do Laço de Fita e fiz companhia a ela, pois queria aprender “Qual o teu segredo para ser tão pretinha?”. Depois de descobrir os segredos da menina bonita, perguntas me levaram a cidade chamada felicidade onde somente lá poderia encontrar A Árvore que Dava Dinheiro. Quem não quer uma árvore que dá dinheiro? 

Mas nesta história o que descobri foi que dinheiro, mesmo dando em árvores, não traz felicidade.Fui então sonhar, acreditar em sonhos e ir em busca deles pois isso não tem preço. E quem me ensinou  isso?  O belo livro O Feijão e o Sonho.


Esta é uma pequena homenagem pelo Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado hoje, onde nesta singela narrativa cito livros que marcaram minha infância e me despertaram o gosto pela leitura e por voar na imaginação através dos livros.

Livros citados:

 - O Sitio do Pica Pau Amarelo ,  autor Monteiro Lobato
- Os Karas , autor Pedro Bandeira
- No Reino Perdido do Beleleu, autora Maria Helena Penteado
- A Menina Bonita do Laço de Fita, autora Ana Maria Machado
- O Feijão e o Sonho , autor Orígenes Lessa


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Você nem é essa coca-cola toda.


Foto: Lê Gomes
Tem muita gente que se acha, se acha tanto que se perde.  Perde-se na dimensão de perceber e entender que nesta vida somos nada.

Somos apenas veículos de experiências e possibilidades de crescimento pessoal e espiritual.

Se você é muito, grandioso em algo, não precisa estar a toda hora e a qualquer custo mostrando ou confirmando isso aos demais se não, irá parecer o belo pavão, majestoso, elegante, exibidor, mas que quando olhamos seus pés, meu Deus! São horríveis!

Tenho três homens brasileiros como exemplo de que são sim essa coca-cola toda; o Sebastião Salgado ( o fotógrafo sem palavras) , o Ivo Pitanguy ( um dos melhores cirurgiões plásticos do mundo) e o Oscar Niemeyer ( a grande arquiteto). E por quê?

Porque apesar de realmente serem grandes naquilo que fazem, não sentem a necessidade de assim serem, apenas são. A humildade é a palavra chave e o amor ao próximo , o desejo de um mundo mais justo e igualitário os eleva ao pedestal da admiração.


E que bom que eles são essa coca-cola toda.





quarta-feira, 16 de abril de 2014

Me Leve...

Leve pluma a planar
leve, me leve.
Sopra a brisa suavemente 
embalando uma dança graciosa,
delicada no ar.
Leve, me leve
leve pluma a planar.


                                                          Lê Gomes



Foto Lê Gomes

terça-feira, 15 de abril de 2014

Viva!

Ame
divirta-se
chore de alegria
abrace
corra
dance na chuva
olhe nos olhos
apaixone-se
pule
diga eu te amo
irrite-se de vez em quando
perdoe
agradeça
brinque
sinta o vento
Viva.

Marabá


Sabe quando você se sente só mesmo estando cercada de uma multidão?

Algumas vezes  na minha vida, aliás muitas vezes na vida, eu me senti assim.

Parece que mesmo pertencente a um grupo, um lugar, não era lá que deveria estar. Era como ser um estranho no ninho.

Esse pensamento me vez lembrar do poema MARABÁ de Gonçalves Dias que adoro de paixão.

E em homenagem a mim e a Gonçalves Dias, hoje lhes ofereço MARABÁ.

Marabá
De Gonçalves Dias

Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
"Tu és", me responde,
"Tu és Marabá!"
Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,
As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
"Teus olhos são garços",
Responde anojado, "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"
É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
Da cor das areias batidas do mar;
As aves mais brancas, as conchas mais puras
Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.
Se ainda me escuta meus agros delírios:
"És alva de lírios",
Sorrindo responde, "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá."
Meu colo de leve se encurva engraçado,
Como hástea pendente do cáctus em flor;
Mimosa, indolente, resvalo no prado,
Como um soluçado suspiro de amor!
"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira",
Então me respondem; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."
Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
O oiro mais puro não tem seu fulgor;
As brisas nos bosques de os ver se enamoram
De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá,"
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!



Vale a pena saber
Gonçalves Dias (1823-1864) era um grande poeta maranhense do romantismo brasileiro e da poesia indianista. O poeta narra os eventos da colonização brasileira do ponto de vista do povo colonizado, no caso o povo indígena .
Fonte de pesquisa: wikipedia e Artigo "A Corrupção do Universo Indígena nas "Poesias Americanas" de Gonçalves Dias" In. Revista Trama ; 2005

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um Dia de Aventura

Hoje trago uma história em família


Meu pequeno príncipe viaja longe. Tão longe em terras distantes e em aventuras imaginárias que vale a pena serem descritas.

Sabe, às vezes acho que o meu pequeno príncipe se confunde acreditando ser parte do seu desenho favorito (diga-se de passagem, também o meu)  -  “Hora de Aventura!!!” –

Falei tudo isso, para lhes contar a aventura de final de semana em família intitulada “A Caça ao Cachorro Lobisomem”

Foto Lê Gomes
Artista Bethoven 
... Em Barra de São João, lugar escolhido a dedos por nós, com seu ar bucólico de uma vila de pescadores, meu pequeno príncipe nos contemplou com a seguinte pérola;

- Mãe, vamos caçar o cachorro lobisomem?

Pensei: “ Para ele  deve ser uma aventura digna de Jack e Fim”

Só pude dizer que sim. E lá fomos nós.

E não é que na escuridão do praião nos deparamos e tomamos uma carreira de um cachorro lobisomem?

Como sabemos ser o cachorro lobisomem?

Meu príncipe e minha princesa Marcelina (para mim jujuba), concluíram ser este a tal fera, pois já haviam percebido que o cachorro surgia sempre a noite quando a lua aparecia. Bem, não era lua cheia, mas isso pouco importa.

Meu  pequeno príncipe, resolve então caçá-lo e para tanto nos convoca para sua empreitada;

- Vamos! Colocarei minha armadura e pegarei a minha espada.

Pergunto-lhe:

- Armadura? Espada?

Meu lindo príncipe;

- Minha armadura será meu chinelo e minha espada minha pá de areia.

E lá foi ele, bravo e corajoso em busca de uma aventura imaginária que com certeza ficará para sempre em nossas memórias de família.

Avante meu pequeno príncipe. Valeu!



(P.S. Está estória se passou no feriado em família em Barra de São João, RJ. E os personagens citados Jack, Fim, Marcelina e Jujuba fazem parte do desenho Hora de Aventura do Cartoon Network.)

domingo, 13 de abril de 2014

BIPOlar



Não imagino como ser
Mas pergunto;
Quem nunca acordou
Azedo sem querer?

Tem dias de euforia
Mega, super a crescer
Tem dias de melancolia
Profunda, amarga poço a descer

Entre altos e baixos
Vivem a viver
Aprendendo a lidar
Com o interior bipolar

Não se desespere amigo
Estou sempre contigo
A rir ou chorar.

                                                                                                   Lê Gomes


P.S. a foto foi tirada de uma exposição no MAC e modificada por mim. Apenas uma brincadeira.

sábado, 12 de abril de 2014

A História Sem Fim


O autor Michael Ende,  nos leva a viajar na aventura (caminhada) de Bastian e Atreiú. Neste mundo de fantasia Atreiú precisa de Bastian para salvar seu mundo, mas o que não imaginamos é que esta estória é muito mais que um mundo imaginário a ser salvo, ele é um convite a mergulhar fundo em nós mesmos e nos lança numa caminhada pelo nosso próprio conhecimento.


Vale a pena se perder (ou se achar) neste livro de letras verdes e vermelhas.


Meus devaneios


As palavras ainda estão no ar
Não se compõem em frases,
Estão dispersas, 
Não criam texto.

Pois, neste contexto,
Estou sem palavras.

Não digo, o não dito.
Nem o não dito, quer virar palavras.

Se ao menos em texto,
As palavras do não dito, virassem escrita.
O que tentou ser dito, ficaria escrito.

Bem, que fique aqui ao menos
O dito pelo não dito.



                                 Lê Gomes

Uma flor para alegrar o dia

Uma flor.... 

Lágrimas nos olhos


Em alguns momentos a tristeza bate a porta, em outras ela adentra sem permissão e insiste em ficar.





Voar

VOAR, VOAR, VOAR.
VOAR AO VENTO,
VOAR SEM TEMPO DE CHEGAR.

VOAR NO PENSAMENTO,
QUE ME LEVE A ALGUM LUGAR.

POESIAS, IDEIAS EU POSSA ACHAR,
DEVANEANDO A ESTAR.

Lê Gomes

Quem Será?


Quem será que vai me amar como se não houvesse amanhã,
Que irá sofrer pelas minhas perdas 
E se alegrar tão mais que eu pelas minhas vitórias.

Que irá desejar me olhar todos os dias ao amanhecer
Quem será que vai amar aos meus como se deles o fossem.
Quem irá me achar linda, quando a beleza em mim não mais reluzir.

Quem será que amarei, a cada dia mais e mais por me amar,
Que irá percorrer o caminho e me guiar na sua estrada
Quem será aquele que sempre soube ser meu grande amor.


Quem será?


Tu que estas ao meu lado.
Tu que estas a me procurar.
Tu somente tu.

Lê Gomes

Calar que Grita



Te convido a vivê-la comigo.

Devaneando

As vezes viajamos em pensamentos, em ideias. Pensamos em tudo ou em nada, na vida ou 
nas pessoas que amamos.

Devaneamos pensamentos permitindo pular o muro da imaginação e voar longe onde o vento possa nos levar.

Assim te convido a transformar os devaneios em poesia , pensamentos em idéias , arte em vida...

E aí, vamos devanear?

Vem comigo!